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24 julho 2012

Amálgama

Rating:★★★★
Category:Books
Genre: Romance
Author:Brivaldo Campelo
É um romance passado no Recife/Olinda, de temática LGBT, mesclando fatos reais, como o assassinato do dono do bar Dilúvio 49, no Poço da Panela (um bairro do Recife), que até hoje não foi esclarecido; a vítima era gay. Achei o livro interessante.

Orgia - Os Diários de Tulio Carella

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10 fevereiro 2012

24 novembro 2011

Cântico Negro, de José Régio

Em 1968 passou, na extinta TV Tupi (aqui no Recife era TV Rádio Clube de Pernambuco, Canal 6, Recife), a novela "Antônio Maria", de Geraldo Vietri. Tinha no elenco Sérgio Cardoso, Aracy Balabanian, Tony Ramos, Dênis Carvalho, entre outros. Eu era criança (tinha nove anos), mas jamais esqueci da interpretação de Sérgio Cardoso como o português Antônio Maria declamando esse belíssimo poema de José Régio, poeta português de Vila do Conde, que, por acaso, vem a ser a cidade-irmã de Olinda, minha cidade.
Um outro lance sobre essa novela é que nessa época eu estudava no Grupo Escolar José Vilela, na Estrada do Encanamento, no Recife e tinha uma colega de classe que era filha de um diretor do Clube Português do Recife. Ela me chamava pra ir sempre ao clube, seu nome, Vitória. Numa dessas idas ao Clube Português, conheci e "fiquei amigo" da atriz e cantora portuguesa Gilda Valença, que também trabalhava na novela. Todas as vezes que ela vinha ao Recife, eu ia vê-la no CPR e ganhava um autógrafo da atriz, em flâmulas do Clube, em cartões, na camisa...
Bem, vamos ao poema:

Cântico negro
José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio
, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

09 novembro 2011

Orgia - Os Diários de Tulio Carella

Rating:★★★★★
Category:Books
Genre: Biographies & Memoirs
Author:Tulio Carella, tradução de Hermilo B. Fº
Os diários do professor Tulio Carella, argentino que viveu no Recife em 1960. Veio para o Recife a convite de Hermilo Borba Filho para ser professor no nascente curso de Arte Dramática da Escola de Belas Artes da UFPE. Tradução de Hermilo Borba Filho, com introdução e notas de Alvaro Machado. O livro relata a pegação gay no Recife no ano de 1960. Adorei o livro. O cara conta muito gostosamente a cena da pegação gay na Guararapes, nos bairros do Recife, de Santo Antônio, de São José e da Boa Vista. Além da sua narrativa, a Introdução de Alvaro Machado nos dá conta também das desventuras do autor com relação aos militares que, em que pese ainda estarmos em tempos de democracia (4 anos antes do fatídico golpe militar que desarranjou o País de 1964 a 1985), os milicos o pegaram e chegaram até a colocarem-no num avião, com os olhos vendados, ameaçando jogá-lo ao mar... Vale a pena ser lido... Saber e imaginar a pegação gay na cabeceira da Ponte Maurício de Nassau, na Avenida Guararapes, na Avenida Conde da Boa Vista... Uma viagem à Recife de 1960.