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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Dia Internacional Contra a LGBTfobia: 17 de maio de 2021

 

Há cerca de 30 anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), finalmente decide retirar de sua Classificação Internacional de Doenças (CID), o código 302.0 que dizia que o “homossexualismo” era “desvio e transtorno sexual”. Lembremo-nos que a luta pela exclusão desse código começou nos anos 1970. As associações estadunidenses de Psicologia e Psiquiatria não seguiam mais essa classificação e apoiavam a luta de pessoas homossexuais que defendiam o fim desse código ainda naquela década.

Com base nesse código, muita tortura foi cometida contra pessoas que não se “enquadravam” no modelo heteronormativo. Desde internamento e tratamentos com hormônios, medicamentos psicotrópicos, eletrochoques e até mesmo lobotomia foram prescritos pelos médicos a fim de “obrigar” pessoas homossexuais a serem heterossexuais. E o resultado? Pessoas mais adoecidas ainda, porém com um detalhe: ninguém deixou de ser quem era. Mesmo “dementes”, depois da lobotomia, as pessoas não deixavam de ser quem eram. Podiam até deixar de ter apetite sexual, mas suas orientações sexuais jamais foram alteradas.

Aqui no Brasil, na década de 1980, com a explosão de grupos de defesa de pessoas homossexuais, lembro que foi uma das primeiras grandes lutas do povo “homossexual”: lésbicas, gays, travestis…

Nas eleições de 1982, em Olinda (PE), com o apoio de membros do Grupo de Atuação Homossexual (GATHO), o candidato a vereador mais votado foi um deficiente físico que apoiou nossa luta contra esse código da OMS. O vereador era Fernando Gondim da Mota. Não era homossexual, mas apoiava nossa causa e apresentou, creio que em 1984, na Câmara Municipal de Olinda, uma proposta de Moção de Repúdio a essa norma da OMS, a qual foi aprovada. Infelizmente, na época, não conseguimos sensibilizar nenhum vereador do Recife, ou de qualquer outra cidade da Região Metropolitana do Recife. Vale dizer também que, graças a esse mesmo vereador, foi incluída, no texto da Lei Orgânica de Olinda, promulgada no ano de 1990, a expressão “orientação sexual” no capítulo referente às proibições de discriminação no nosso município.

Finalmente, em 17 de maio de 1990, a OMS excluiu esse código da sua CID. Deixando a HOMOSSEXUALIDADE de ser um “desvio e transtorno sexual” para ser simplesmente uma das expressões da sexualidade. Essa data ficou conhecida inicialmente por IDAHO (International Day Agaisnt Homophobia) e hoje é comemorada por todas e todos LGBTQIAP+ como o Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia.

Viva o Dia 17 de Maio!



domingo, 7 de fevereiro de 2021

2021, o ano sem Carnaval.

 

O que seria da vida, afinal, se não houvesse Carnaval?” Perguntava Edgard Moraes, em “Homenagem à Folia”, um de seus inúmeros frevos de bloco…

Pela primeira vez, estamos num ano em que não haverá Carnaval. Entendo a necessidade disso, mas não me conformo. Carnaval é a Minha Festa. Minha “Folia Querida”, cantada no frevo “Carnaval Divinal”…

Algumas músicas me tiram lágrimas dos olhos. “Saudade”, de Aldemar Paiva e que, com meu irmão Nicolau fomos cantando, levando o corpo de mamãe pra cerimônia de cremação… Outra é “Frevo de Saudade”, de Aldemar Paiva e Nélson Ferreira.

Este ano, vendo a live do Bloco da Saudade, em casa, procuro fechar os olhos e lembrar que nesta próxima quarta-feira, dia 10 de fevereiro deste fatídico 2021 estaríamos com meu irmão Nicolau, tias, primas, primos, amigas, amigos… nos confraternizando, brincando, cantando, dançando as músicas tocadas pelo maestro Bozó e sua orquestra de pau e corda, no acerto de marcha do Bloco da Saudade.

Quanta saudade…

Choro sim. Sou um chorão de marca maior mesmo. E o Carnaval sempre me faz chorar. De alegria, de saudade de tempos em que, menino, brincava na Vila dos Comerciários atrás do “Amantes das Flores”, das tribos de “caboculinhos” Tabajara e Canindé. Do CORSO, na avenida Conde da Boa Vista, Aurora, Imperatriz, Manuel Borba, Dom Bosco, Conde da Boa Vista… Do Carnaval de Olinda dos anos 1970, em que havia o QG do Frevo, na Sigismundo Gonçalves, na frente da Praça do Jacaré, por onde passavam as agremiações no tríduo momesco!.

Mas também tinha o Trote de Elefante, seu Clídio Nigro, que eu gostava de conversar e ele também gostava muito de conversar comigo. Ele falava das suas músicas do Carnaval de Olinda, principalmente “Banho de Conde” e “Olinda nº 2”, mais conhecida do Carnaval da minha cidade.

Depois, vi o grande boom do Carnaval de Olinda, em 1980. Com palcos armados nas praças, com os conjuntos (hoje são chamados de “Bandas”) locais com muito frevo, ciranda, maracatu… entrando noite afora, como acontecia nos clubes do Recife. Aliás, acho que 1980 foi o último ano de carnaval de clubes do Recife. Na década anterior, era Carnaval de Olinda de dia e bailes noturnos de carnaval nos clubes do Recife.

E agora, nessa pandemia, não tem Carnaval. Nas ruas… Mas tem Carnaval sim, no meu peito que bate mais acelerado ao escutar os compositores, maestros e cantores do Meu “Carnaval Divinal”, que espalha alegria, irreverência, fantasia a todas foliãs e todos foliões…

Também vale destacar que TERÇA-FEIRA, DIA 9 DE FREVEREIRO DE 2021, É O NOSSO DIA DO FREVO!

Viva o Carnaval de Pernambuco, que “é Vibração, é o gozo, é o suco, graças ao Frevo e à Federação” (Carnavalesca de Pernambuco).

Evoé, Baco!

Não deixem de ver o Baile Virtual do Bloco da Saudade no link: Baile Virtual do Bloco da Saudade 2021



Escrito em 7 de fevereiro de 2021.