Hora Legal Brasileira

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Dia da Saudade, 30 de janeiro.

Acabo de saber que hoje é o Dia da Saudade. Então, por estar perto do Carnaval, que é a festa que considero a MINHA FESTA dentre todas as festas do ano, lembrei-me de um frevo de bloco que gosto muito, do saudoso maestro Nelson Ferreira e de Aldemar Paiva, o Frevo de Saudade, que é cantado também pelo Bloco da Saudade. Por sinal — e por uma coincidência da gota serena! —, hoje, dia 30/01/2008, quarta-feira da pré-carnavalesca, tem acerto de marcha do Bloco da Saudade que com toda certeza cantará o:

Frevo de Saudade:

Quem tem saudade não está sozinho
Tem o carinho da recordação
por isso, quando estou mais isolado,
Estou bem acompanhado com você no coração

Um sorriso, uma frase, uma flor
Tudo é você, na imaginação
Serpentina ou confeti, carnaval de amor
Tudo é você no coração!

Você existe como um anjo de bondade
Que me acompanha neste frevo de saudade!

Lá-lá-lá


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Sonetos de Camões

Hoje, deu-me uma vontade danada de recuperar dois sonetos de Camões. Todos dois acho belíssimos. Um deles, Renato Russo misturou com uma epístola de São Paulo e deu numa linda música cujo título agora não me recordo.
Vamos aos sonetos:

Busque Amor novas artes

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões

E o segundo:

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís de Camões

E então, concordam comigo que esses dois sonetos de Camões são perfeitos?
Beijo pra quem é de beijo e abraço pra quem é de abraço!

Ah! Ia esquecebndo de dizer onde foi que encontrei os sonetos:

http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/camoes.html