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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Dia do Médico

Hoje é o Dia do Médico. Por isso, gostaria de contar uma historinha aqui.
Nasci, como todos sabem, em 1959.
A pediatra que cuidou de mim nos primeiros dias foi a Dra. Helena Moura. Foi ela quem descobriu que eu tinha um sopro no coração. Então, passei a ter duas médicas cuidando de mim: a Dra. Helena Moura, pediatra das mais competentes da minha época de criança. Ela cuidou de mim e dos meus irmãos todos e que hoje dá nome a um hospital infantil na Tamarineira.
A outra médica foi a cardiologista Dra. Norma Palmeira. Na realidade, o meu coração só tinha um átrio e dois ventrículos. O nome que se dá a essa doença é CIA = Comunicação Inter Atrial, mas é também conhecida popularmente por "Doença Azul", porque quem padece disso tem a boca, olhos e as pontas dos dedos azuladas.
Eu vivia no Hospital D. Pedro II, tirando sangue dos dedos e das veias, fazendo um sem-número de exames a torto e a direito. Imagens que ficaram na minha mente reportam salas de aulas com desenhos de coração e do aparelho respiratório feitos com giz colorido nos quadros negros das salas de aula.
Meus pais não tinham  posses pra me mandarem pra São Paulo pra se operar com a equipe de cardiologistas de la. Assim, meus pais doaram meu corpo, caso a cirurgia não desse certo, para estudos pela equipe de cardiologia da UFPE.
Falava-se que eu não deveria chegar aos 11 anos de idade, pois era muito fraco e o coração havia aumentado de tamanho e tomava todo o meu tórax. Por conta disso, eu era muito paparicado na Vila dos Comerciários, onde morávamos, especialmente pelas beatas do lugar, afinal de contas era uma criança que estava com os dias contados. Isso me valeu alguns prazeres como por exemplo ser levado para assistir "Branca de Neve e os Sete Anões", "A Noviça Rebelde", "Mary Poppins". Era muitíssimo religioso, para fazer a primeira comunhão aos 6 anos, tive licença especial de Dom Hélder Câmara, pois eu não deveria viver por muito tempo...
Em dezembro de 1965 estava marcada a minha operação e eu fui dormir, na noite anterior no IMIP (na época era Instituto Materno Infantil de Pernambuco). Mas pela manhã, acordei com uma febre muito alta. Era nervosismo, então a cirurgia foi adiada e eu não poderia saber nada sobre a nova operação.
Até que no dia 2 de fevereiro de 1966, pela manhã, chega à nossa casa Zezé, uma enfermeira do Pedro II para conversar com mamãe. Quando cheguei no quarto, vi minha mala pronta e elas duas mais que depressa disseram que eu iria fazer vários exames e pra mamãe não ir todos os dias pro hospital, eu ficaria com ela lá até terminar todos os exames. Eu acreditei.
No hospital, a uma certa altura do dia, mamãe disse que ia fazer comida pra mim e saiu. Achei que ela estava demorando muito e peguei minhas coisas e fui saindo de mansinho, sapatos nas mãos, nos pés, meias, no maior silêncio e ao chegar à porta, escuto:
-- Pra aonde vai, Jackson? - era a enfermeira, que me levou de volta para cama e me deu um remédio amargo pra tomar. Achei ruim, ela me deu uma maçã para comer.
Não vi mais nada. Ao acordar, um susto. Todo amarrado por fios e umas televisãozinhas fazendo pi, pi, pi...
Tinham feito a operação em mim. Os médicos Mauro Arruda e Milton Lins me operaram, com participação da Dra. Norma Palmeira.
Não precisa dizer que a operação foi um sucesso. Os primeiros dez anos da operação, ia uma vez por ano à Dra Norma pra ver se tava tudo OK. Com 17 anos, fui liberado pela médica que disse que eu poderia até morrer do coração, mas não da doença com a qual nasci.
No meu coração, agora biônico, tem uma estrutura de náilon, que veio dos ZEUA (os ZEUA são tão bonzinhos!), há mais de 40 anos. É engraçado ver nas minhas radiografias do tórax uns anéis metálicos no meu osso esterno.
No dia 6 de agosto de 2008, fui levar minha mãe à sua pneumologista e reencontrei o Dr. Mauro Arruda e pedi pra tirar uma foto com ele. Mamãe bateu a foto:
Está aí, um dos responsáveis por eu estar até agora por aqui. Soube por ele que o Dr. Milton Lins hoje em dia se dedica à carreira de escritor e quanto à Dra. Norma, ele não tinha notícia.
Aos meus amigos médicos e aos médicos amigos, feliz Dia do Médico e da Médica também!




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